935 333 777 | info@ligiasilva.com

A confissão de um coração…

Recomecei a trabalhar em Abril, após ter estado em licença de maternidade desde Novembro. Sinceramente estava entusiasmada, queria descobrir se esta parte minha ainda era minha, ainda era a mesma. E precisava de um bocadinho para mim, para me voltar a encontrar.

Sou bastante abençoada porque assim que comecei a agenda começou logo a encher, rapidamente entrei num ritmo muito acelerado.

Após três semanas de estar a trabalhar com uma grande intensidade esgotei fisicamente e emocionalmente. Entre cada sessão parava para tirar leite para continuarmos com o processo de amamentação em exclusivo, as noites eram divertidas (diz ela ironicamente) durante muitos dias acordava de hora a hora, ou de duas em duas horas. Com poucas horas de sono seguidas, e com a agenda muito preenchida (o que antes fazia de uma forma leve), tornou-se um desafio.

Devido ao nível de cansaço extremo, deixei de produzir leite. Para quem não sabe o leite materno está diretamente ligado à oxitocina, a famosa hormona do amor, se eu estava a produzir stress obviamente que o leite não fluía da mesma forma.

Após essas três semanas analisamos se não era melhor parar novamente de trabalhar.

Só hoje passados alguns meses é que consigo perceber, e sentir o ato de violência que tive para comigo. Eu não valorizei os meses que tive em pós-parto, que não foram férias nem pausas, pelo contrário. Eu não valorizei que no meu pós-parto fizemos uma mudança de casa e uma mudança de cidade, o que foi duro, muito duro desligar emocionalmente de um sítio onde vivi e fui muito feliz durante quase 10 anos. Eu não valorizei a transformação emocional, e a desconstrução interna que estava acontecer comigo. Eu não valorizei que me estava a separar pela primeira vez do meu filho. Eu não valorizei a culpa que senti. Eu não valorizei o desgaste que sentia por estar a dar mama em livre demanda. Eu não valorizei o não saber nada sobre maternidade, o sentir-me completamente insegura e perdida em cada passo que dava.

Pelo contrário… eu exigi ainda mais de mim, afinal não é o que nos é pedido? Para fazermos mais, mais e mais? E se dizemos que não estamos aguentar, será que podemos? Ou será que não estamos a ser boas mães?

Então após três semanas de estar a trabalhar tive que desacelerar, desacelerar muito.

Com o desacelerar vieram os problemas físicos, uma anemia, uma dor ciática, duas costelas fora do sítio (ainda não sei como fiz isto), e um dia desabei… chorei de tanto cansaço que sentia, mas principalmente de estar a tentar estar em todo o lado, de estar a tentar ser a mesma, de estar constantemente a pedir ao meu corpo, mais do que ele podia dar.

Como podia tentar ser a mesma, tentar trabalhar da mesma forma, tentar ter a mesma vida se eu não era a mesma.

Então desacelerei verdadeiramente… e sabes o que descobri?

Não sei explicar como, mas sempre que falo com uma pessoa vejo para além daquilo que ela me diz, vejo para além daquilo que ela faz, vejo o coração dela, a sua essência, vejo aquilo que a sua alma quer transmitir. Vejo os comportamentos que sabotam essa verdade, vejo a mentira que ela conta a ela própria. Não sei como o faço, mas faço. Este ver ficou mais claro, mais assertivo, mais maduro. Mas só “funciona” quando estou eu, presente, quando a minha energia está em mim. Quando eu estou em verdade.

Então os últimos meses foram sim de muito trabalho interno, de muito olhar para dentro, de deixar cair muitas máscaras, muitas mesmo! Foi o criar uma relação diferente com o meu trabalho, foi escolher de forma consciente como queria trabalhar e de que forma, e para isso foi necessário alterar tantas crenças, tantas verdades absolutas. Foi o mostrar-me tal como sou, com olheiras e cabelos brancos, mais madura, mais assertiva, mais mulher!

Os últimos meses foram também uma oportunidade de estar mais “espalhada”, pelo mundo ( Suiça, Alemanha, Espanha) e por Portugal: Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra, Açores, Madeira, e muitas mais cidades.

Hoje partilho contigo de coração escancarado 😊 e agradeço a todas as pessoas que confiaram e confiam em mim e no meu trabalho. A verdade e toda a verdade é que a vida está sempre do nosso lado e muitas vezes até nos carrega ao colo, se assim o permitirmos! Volto em Setembro com muitas novidades, com a energia renovada e com muita vontade de continuar a contribuir para a abertura de corações!

Um beijo enorme e até já!

p.s.1 a agenda de setembro já está disponível, apenas peço que as marcações sejam feitas por email: info@ligiasilva.com ou por sms para o número 935 333 777.

p.s.2 recordo que as consultas presenciais são realizadas às quintas-feiras em Lisboa, os restantas dias as consultas são online.

You May Also Like

Leave a Reply