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Enquanto espero por ti!

As duas últimas semanas de gravidez foram para mim as mais difíceis, muito intensas. Queríamos muito que o bebezolas escolhesse por ele qual o melhor momento para chegar, mas ao mesmo tempo queria muito controlar esse processo 😊! Com 38 semanas de gravidez, comecei a sentir internamente um tique-taque, não apenas no meu interior como também no exterior. Sinto que se tornou “anormal” esperar e o “normal” agora é apressar este processo. No nosso caso (porque estava tudo bem de saúde) escolhemos esperar!

Chegaram as 39 semanas e nem sinais.

Chegaram as 40 semanas e começaram pequenos sinais… Nestes últimos dias a ansiedade era imensa. Ainda na barriga este bebezolas começou a ensinar o quanto é importante praticar a paciência e o render! Num dia em que não aguentava mais o medo que sentia, decidi fazer a única coisa que podia… escrevi para ele… foram estas cartas que me ajudaram a largar e a render! Ontem reli novamente a primeira carta que escrevi para ele… Partilho contigo um dos maiores atos de rendição que já pratiquei! Passados 3 dias ele escolheu nascer, no tempo dele! Às vezes peço às pessoas com quem trabalho que escrevam cartas, cartas para si, com as pessoas com quem têm conflitos, cartas para o passado ou para o futuro. No fundo são cartas que permitem abrir o coração e trazer a verdade ao de cima… esta foi a minha.

“ Enquanto espero por ti…

Sabes, aprendi que tudo depende de mim. Que tenho a capacidade de desbloquear cada parte da minha vida, que tenha a capacidade de criar tudo o que quero para mim. Aprendi isto e pratico. Mas enquanto espero por ti, enquanto espero que escolhas o momento para nasceres, enquanto espero que chegue a primeira contração. Percebo que só me posso preparar até um determinado momento, só posso desbloquear e limpar até um determinado momento.

Sei que viste que durante 9 meses preparei-me. Lidei com os meus medos e com as minhas inseguranças. Lidei com as emoções menos bonitas que tive durante a gravidez. Lidei com o medo de te perder. Lidei com o medo de estar a viver algo tão bom, e que me poderia ser tirado. Lidei com o sentir que não merecia tanta alegria e felicidade. Lidei com o medo do parto. Lidei com o medo de perder o controle durante o parto. Lidei com o medo de te acontecer algo. Lidei com o medo de não te amar o suficiente, de não te proteger o suficiente. Tentei lidar com cada camada que me apareceu. Não fugi. Preparei-me!  

Mas agora já não posso fazer mais nada, a não ser esperar por ti!

Agora tenho de me render, de entregar. Habituei-me a controlar, mas agora está na tua mão. Agora está na mão da vida. E com a maior humildade percebo o quanto ainda tenho que largar, o quanto ainda tenho que aprender a confiar, o quanto ainda tenho que aprender a render.

Enquanto espero por ti, tenho dentro de mim milhões de pequenos vulcões, que me mostram o quanto eu ainda tenho que crescer e aprender.

Dizem que quando nasce um bebé, nasce uma mãe. O que sinto neste momento é que estou a renascer, um renascer mais verdadeiro, mais meu. Um renascer com dor.

Enquanto espero por ti, reconheço no teu pai o quanto ele me dá segurança, o quanto ele é uma rocha para mim. Porque enquanto eu espero por ti, ao meu lado tenho uma voz que repete continuamente, vai correr tudo bem, deixa fluir.

Enquanto espero por ti aprendo a render-me.

Um beijinho enorme, da tua mãe!”

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